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Uso Terapêutico da Luz Intensa Pulsada – Fisioterapia Dermatofuncional

Autora: Simone Bacchi

LUZ INTENSA PULSADA

1 INTRODUÇÃO

Historicamente, o uso da Luz Intensa Pulsada é recente. A utilização de luz infravermelha policromática foi descrita em 1976 por Muhlbauer et al. para o tratamento de malformações vasculares1. Já a fototermólise de estruturas pigmentadas tais como células e organelas utilizando absorção seletiva de radiação pulsada foi descrita em detalhes em 19832, e em 1990, Goldman e Eckhouse descreveram uma lâmpada flash de alta intensidade como uma nova maneira de tratar lesões vasculares, denominada luz intensa pulsada (LIP), que foi comercialmente lançada como dispositivo médico somente em 19943.

Atualmente, o procedimento cosmético mais realizado no mundo é a depilação com aparelhos de luz intensa pulsada (LIP), com excelentes resultados se o procedimento for realizado por profissional treinado, cabendo enfatizar que o sucesso do tratamento depende da seleção cuidadosa do paciente, da avaliação adequada de casos e dos cuidados pré e pós-operatório. Da mesma forma, a terapia de manutenção com mais sessões de tratamento pode ser necessária e, como em qualquer procedimento cosmético, o aconselhamento adequado do paciente desempenha papel preponderante no resultado terapêutico esperado4.

Contudo, a ampla gama de tratamentos selecionáveis com diferentes configurações, obviamente, implica em riscos de efeitos colaterais por danos térmicos não específicos. Outras condições, como uso do gel, ponteira resfriada, peso da ponteira, variações e irregularidade do espectro de acordo com o pulso aplicado, principalmente de dispositivos de luz intensa pulsada com capacitores pequenos são também obstáculos para o bom resultado do programa aplicado5.

O estudo aqui apresentado pretende analisar, através de revisão da literatura, as complicações atualmente conhecidas no tratamento com Luz Intensa Pulsada.

Assim, tem como propósito mais amplo, promover uma atualização sobre o tema, tendo em vista a divulgação constante dos resultados de novas pesquisas, cujo interesse crescente é decorrente da popularidade alcançada pela aplicação da Luz Intensa Pulsada nos tratamentos estéticos.

 

2 REVISÃO DE LITERATURA

 

2.1 LUZ INTENSA PULSADA: NOÇÕES GERAIS

 

Segundo o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, os aparelhos de emissão de Luz Intensa Pulsada (LIP), que utilizam o princípio da fototermólise seletiva, ganharam popularidade6.

A Luz Intensa Pulsada é erroneamente denominada de laser, mas com ele não deve ser confundida, embora apresente ação similar6. O sistema de Luz Intensa Pulsada difere do laser, também, por ser uma luz policromática emitida em todas as direções, e não paralela7.

Quanto ao espectro de radiação produzida, que abrange vários comprimentos de onda simultaneamente, há divergência doutrinária: para alguns autores, atinge de 50 a900 nm6; e para outro, estende-se de 500 a 1.200 nm7.

A profundidade de penetração aumenta quanto mais longos forem os comprimentos de onda utilizados. Por esta razão, a escolha do filtro será feita mediante a seleção do espectro correspondente à profundidade da estrutura que se deseja atingir8.

Nos dispositivos de luz intensa pulsada o princípio básico é a absorção de fótons por cromóforos endógenos ou exógenos dentro da pele e da transferência de energia para estes cromóforos. Esta transferência de calor destrói a estrutura do alvo. Os cromóforos-chave da pele humana – hemoglobina, melanina, água – mostram espectros largos de absorção. Como os dispositivos de luz intensa pulsada emitem um espectro de comprimentos de ondas, os três cromóforos chave podem ser ativados com uma única exposição à luz. Tamanha versatilidade, contudo, implica em uma seletividade reduzida8.

O tipo da pele do paciente e da condição da pele determina a escolha de filtros adequados de corte e, portanto, o espectro de comprimentos de onda a ser emitido. A duração do pulso pode ser ajustada em intervalos relativamente grande, dependendo do dispositivo em particular, no intervalo de milissegundos. A combinação de comprimentos de onda, durações de pulso, os intervalos de pulso, fluências facilita o tratamento de um amplo espectro de doenças da pele, como acne vulgar, lesões pigmentadas, cicatrizes9 e angioqueratoma10.

 

2.1.1     EFEITOS DA LUZ NOS TECIDOS

 

Efeito Térmico

O efeito térmico da luz nos tecidos biológicos resulta de três fenômenos distintos:

– Conversão da luz em calor (fototermólise seletiva)

– Transferência do Calor

-Reação do tecido em função da temperatura e da duração do aquecimento

A interação térmica conduz até a destruição de um volume de tecidos biológicos. Os dados conhecidos são os parâmetros da Luz (Comprimento de onda, Energia, etc…) e o tecido a tratar.

As diferentes etapas deste processo são:

A criação de uma fonte de calor (fototermólise-seletiva)

A fonte de calor vem da conversão da luz em calor. A transmissão óptica vai determinar a quantidade de Luz que vai penetrar no tecido, essa transmissão é maior nas luzes vermelhas e IV.

A dispersão e a absorção vão ser muito importantes para limitar a penetração e para a determinação da fonte primária de calor que vai aquecer um volume também primário.

Os tecidos que absorvem a luz e geram calor são chamados cromóforos. São eles: a melanina (presente na pele, nos pelos e nas manchas); a hemoglobina e oxyhemoglobina (presente nos vasos sanguíneos); a água (80% dos tecidos).

Também podemos considerar como cromóforos a tinta das tatuagens e os corantes epidérmicos escuros.

 

Mecanismo de transferência de Calor

A transferência do calor nos tecidos é devida ao mecanismo de difusão térmica que se faz aleatoriamente começando nas partículas mais energéticas até as partículas menos energéticas para determinar um volume secundário de aquecimento. E é justamente o volume secundário que vai determinar a modificação e a destruição dos tecidos.

Esse volume vai depender da penetração e dos tempos característicos da Luz (tempo de relaxamento térmico e tempos dos pulsos).

A penetração da luz ocorre em função da energia aplicada, das perdas por absorção e dispersão, do comprimento de onda aplicado e do tamanho da ponteira do aparelho.

O tempo de relaxamento térmico é o tempo necessário para um tecido aquecido, por efeito de fototermólise seletiva, perder por difusão térmica, nos tecidos adjacentes, 50% da temperatura acumulada.

Se o tempo de exposição dos tecidos for superior ao tempo de relaxamento térmico, poderão ocorrer sérios danos nos tecidos adjacentes.

O tempo de relaxamento térmico da epiderme vai de 4 até 10ms, o tempo de relaxamento térmico do pelo vai até 100 milisegundos.

 

Pulsos

A exposição dos tecidos a luz não deverá exceder o tempo de relaxamento térmico, então todas as máquinas Luz ou Laser serão pulsadas, com pulsos de tempo menor que o tempo de relaxamento. No tempo de exposição o pulso poderá ser o único o múltiplo permitindo aquecer e resfriar o tecido várias vezes durante a exposição.

 

Mecanismo de modificação dos tecidos

A modificação/destruição do tecido é resultado final da ação térmica que é dependente da temperatura atingida, da duração do aquecimento e da susceptibilidade dos tecidos.

 

Danos térmicos nos tecidos

A temperatura tem vários efeitos nos tecidos, divididos de acordo com as seguintes faixas:

– Abaixo de 50°C tem um efeito de hipertemia. O aumento de temperatura é moderado e não tem alteração dos tecidos, se a exposição for curta.

– Acima de 60°C as proteínas, DNA e RNA vão se desfazer e desaparecer (coagulação, necrose, danificação do colágeno).

– Entre 90°C e 100°C ocorre a carbonização dos tecidos.

– Acima de 100° C há vaporização da água nos tecidos e ablação dos mesmos.

 

 

Coagulação e necrose

Entre 60° e 90°C a temperatura vai queimar o volume primário (mancha), mas também vai afetar um volume secundário ao redor da mancha. Esse volume secundário vai criar uma crosta (necrose de coagulação) que vai desaparecer depois de alguns dias deixando uma depressão.

 

Carbonização

Um estudo feito por médicos americanos demonstrou que a melanina é aquecida em função da energia e do comprimento da onda absorvida.

Esse é o efeito principal na remoção de pelos com laser de Rubis, Alexandrite, Diodo e Nd-Yg.

 

Volatilização

O cromóforo sendo a água, o calor acima de 100°C faz evaporar a água e o tecido vai se volatizar.

 

            Efeito fotomecânico

Com impulsões muito curtas (nano segundo ou pico segundo) e um fluxo luminoso intenso (até 1000 W/cm²) vamos induzir o tecido tratado uma ionização dos átomos e a criação de plasma. Na divisa entre o meio ionizado e o meio externo vai aparecer um gradiente de pressão gerarando uma onda de choque e se propagando no meio ionizado. Essa onda de choque vai ter um poder destruidor nos tecidos utilizado para quebrar as moléculas de tinta de tatuagem, no tratamento de implante de cristalino, no tratamento de cálculo renal etc.

 

Efeito fotoquímico ou fotodinâmico

A terapia fotodinâmica consiste em marcar o tecido patológico com fotossensibilizante a fim de induzir uma reação foto-tóxica provocando a destruição do tecido.

O fotossensibilizante pode ser injetado horas ou dias antes do tratamento. O foto sensibilizante vai ajudar a criação de porfirina que ao contato de uma fonte luminosa liberará átomos de oxigênio reativo (dois elétrons na mesma órbita) que é um elemento extremamente ativo e tóxico (radical livre) que vai oxidar e destruir as moléculas alvos. Esse efeito não tem difusão, é muito local. Utiliza-se o efeito fotoquímico no tratamento da acne, no caso não necessita injeção de fotossensibilizante porque a porfirina existe nas lesões de acne. Este efeito também é utilizado em tratamento de determinados tipos de câncer.

 

Características da luz intensa pulsada

As quatro características da LIP são:

1. Luz policromática

Tendo vários comprimentos de onda, essa luz é caracterizada por várias cores do azul até o infravermelho.

2. Não-Coerente

Todas as ondas que saem da fonte não têm a mesma direção, não são raios paralelos.

3. Não colimada

Todos os raios que saem da fonte não tem a mesma direção, são raios dispersos.

4. Espectro largo

O espectro de ondas vai de 400 até 1200 nanômetros.

 

 

2.2 INDICAÇÕES DE TRATAMENTO COM LUZ INTENSA PULSADA

 

A Luz Intensa Pulsada emite uma fonte de energia luminosa, que permite corrigir várias lesões da pele facial e corporal, quais sejam, manchas, rugas finas, envelhecimento facial, das mãos, do dorso e pescoço, pequenos vasos faciais, manchas senis, sardas e melasmas, utilizada, também, na depilação progressiva definitiva, tatuagem, acne, estrias e poros dilatados11.

A epilação com Luz Intensa Pulsada inclui-se no conjunto de afecções estéticas tratadas pela fisioterapia dermato-funcional, portanto estas formas de radiação luminosa fazem parte do conjunto de recursos terapêuticos disponíveis para uso deste especialista12.

Na epilação duradoura, a Luz Intensa Pulsada emite uma energia, que é atraída e captada pela melanina e pela hemoglobina dos vasos que alimentam o pelo. Quando esta energia chega ao pelo, ela danifica o folículo piloso, retardando ou evitando a produção de um novo fio. É possível tratar pelos escuros, claros, finos e grossos. São necessárias em média, de oito a 12 sessões, para um resultado eficaz11.

No rejuvenescimento e no tratamento de pequenos vasos faciais, a Luz Intensa Pulsada age em dois níveis na pele: superficial e mediano – a aplicação superficial consegue uma redução significativa de manchas mais superficiais como melanoses, sardas e de pequenos vasos na região da face, notadamente no nariz e bochecha. Também é possível tratar mãos, colo e pescoço de forma muito eficaz; e o nível mediano estimula o colágeno, reduzindo irregularidades como rugas e cicatrizes. O aquecimento do tecido dérmico pode provocar somente um leve desconforto durante a aplicação, mas este calor é responsável pela remodelação e melhora na estrutura do colágeno, estimulando a sua formação e dando mais textura e firmeza à pele. Dependendo da intensidade do problema, em média, são necessárias cinco a seis sessões, embora seus efeitos já possam ser notados após a primeira sessão11.

A melhora da aparência das rugas, tamanho dos poros e na textura da pele que o paciente observa após o tratamento de fotorejuvenescimento ocorrem através da produção de colágeno subdérmico e intradérmico e utiliza o princípio da seletividade fotocinética. O acúmulo de novo colágeno dérmico através de múltiplos tratamentos resulta em um espessamento da derme e uma suavização na aparência das rugas, das irregularidades na textura ou no tratamento dos poros13.

No tratamento da acne, a Luz Intensa Pulsada atua através do seu espectro de luz que atinge a inflamação no folículo, diminuindo o processo inflamatório com a destruição da bactéria responsável pelo seu aparecimento. Dependo do grau da acne deve ser realizado de um programa de tratamento de dois meses, associando a Luz Intensa Pulsada a outros recursos tecnológicos para um bom resultado, que deve perdurar, em média, entre seis e oito meses11.

Ainda, no tratamento das lesões pigmentadas, a Luz Intensa Pulsada pode destruir as células pigmentadas sem danos à pele normal. A principal recomendação é a abstenção do sol nas duas a três semanas que antecedem as aplicações, aconselhável também durante e após o tratamento, quando será obrigatória a aplicação de bloqueador solar 30 minutos antes da possibilidade de exposição11.

A Luz Intensa Pulsada (LIP) utiliza todos os comprimentos de onda disponíveis juntos, mas cada comprimento vai ter um efeito especifico para tratar de uma determinada patologia ou alteração. Cada disparo de LIP vai ter ao mesmo tempo um efeito superficial (epiderme e derme papilar com luzes de 400 até 700 nm de comprimento), um efeito médio (derme papilar com luzes de 700 até 900 nm) e um efeito profundo (derme e hipoderme com luzes acima de 900nm)

A LIP é utilizada, principalmente, para tratar as seguintes condições:

1. Remoção dos pelos

2. Envelhecimento cutâneo (foto-rejuvenescimento).

3. Rosácea e teleangiectasia da face

4. Telangiectasia superficiais das pernas

5. Lesões e manchas pigmentadas.

6. Cicatriz de acne

 

2.3 COMPLICAÇÕES NO TRATAMENTO COM LUZ PULSADA

 

A Luz Intensa Pulsada é considerada uma fonte de luz não laser, gerada por lâmpadas, resultando na emissão de calor e radiação luminosa, sendo, portanto classificada como um recurso físico de tratamento6.

Então, a utilização da Luz Intensa Pulsada quando feita de forma adequada, não causa variação importante no gradiente de temperatura tecidual, não fazendo fotoablação6.

Como regra, a possibilidade de sequelas, tais como bolhas, púrpura, ou crostas, e efeitos potenciais, como eritema, hipopigmentação, hiperpigmentação, atrofia, cicatrizes, cicatrizes hipertróficas ou formação de quelóides, bem como o risco de infecção, devem ser mencionados ao paciente antes da assinatura do Termo de Consentimento14 e dele fazer parte.

Complicações em longo prazo, como a formação de cicatrizes, são raras e quando acontecem são causadas por aplicação inadequada6.

Assim, o risco de queimadura existente no uso desta forma de radiação luminosa, comentado por alguns autores, se assemelha ao risco encontrado em outros recursos eletrotermoterapêuticos. Dito de outra forma, se manuseados de forma inapropriada quaisquer destes recursos pode-se lesionar o paciente12.

Os efeitos colaterais ocorrem, principalmente, nas pessoas fototipos altos, acima do tipo III, ou em indivíduos recentemente bronzeados6. Para outros autores, apenas os fototipos V e VI, ou seja, peles negras estão sujeitas a esses efeitos13.

Discromias, como hipo ou hiperpigmentação, são os efeitos adversos mais comuns, e têm como causa altas fluências e curta duração de pulso. As pessoas de pele morena bem como as orientais são as mais afetadas. Podem, também, ocorrer a formação de crostas e manchas violáceas6.

As crostas, quando aparecem, desaparecem, no máximo, em duas semanas. Pode haver prurido durante a sessão; sensação de calor; bolhas, causadas pela ação térmica na pele; púrpura; hiperemia; edema15.

Já os efeitos adversos como as discromias podem ser totalmente evitados quando da indicação adequada e aplicação da técnica seguindo critérios de faixa de comprimentos de onda da emissão luminosa6.

Surtos de herpes simples e foliculite podem aparecer; porém a resolução é espontânea. O clareamento de sardas e de tatuagens pode ocorrer16.

O tipo de pele do paciente tem que ser documentado de acordo com a escala de Fitzpatrick17 porque os parâmetros fotofísicos precisam ser ajustados, dependendo do tipo de pele do paciente.  O diagnóstico e aparência clínica também devem ser anotados no prontuário do paciente, sem esquecer que a fotodocumentação é obrigatória antes de cada sessão.

 

2.4 CONTRA INDICAÇÕES DE TRATAMENTO COM LUZ INTENSA PULSADA

 

A gravidez, o aleitamento materno, a ingestão de retinóides ou medicamentos fotossensibilizantes, doenças ou condições genéticas que causam fotossensibilidade ou tendência a risco após a exposição à luz14, e pele bronzeada são critérios de exclusão para o tratamento com Luz Intensa Pulsada. Pacientes que sofrem de diabetes, hemofilia, ou outras coagulopatias e pacientes com implantes na área de tratamento ou com marca passo cardíaco devem ser tratados com cuidados especiais. Pacientes com história de herpes simplex requerem uma profilaxia antiviral para tratamentos faciais18.

 

3 OBJETIVOS

 

3.1 Objetivo Geral

Revisar a literatura sobre o uso da Luz Intensa Pulsada como ferramenta terapêutica.

 

3.2 Objetivos Específicos

Identificar os critérios de indicação e contraindicação do tratamento com luz intensa pulsada.

Relacionar as complicações possíveis de acordo com o tratamento proposto.

 


4 MÉTODO

 

O estudo consistiu em uma revisão bibliográfica sobre as complicações do tratamento com Luz Intensa Pulsada de aplicação estética, e os dados foram obtidos através de buscas nos bancos de dados Scielo (www.scielo.br) e Portal Capes (www.periodicos.capes.gov.br); capítulos de livros, além de artigos recebidos dos próprios autores.

Os critérios utilizados para triagem dos artigos foram: a) ano de publicação entre 2005 e 2012; b) idioma de publicação: português ou inglês; e c) pertinência com o tema.

Foram privilegiadas para a busca de fontes bibliográficas as palavras-chave: laser; e Luz Intensa Pulsada, para artigos em português; e laser; IPL; incoherent light; skin; e light source, para artigos em inglês. Em contrapartida, foram descartados artigos publicados anteriormente ao ano de 2005 e em idioma diverso do português e do inglês.

 

5 RESULTADOS

 

Estudos empregando diversos tipos de luz intensa pulsada têm mostrado efetividade no tratamento de cicatrizes exuberantes, melhorando a hipercromia, ou hiperemia e, alguns casos, até a textura do tegumento. Na investigação sobre os efeitos da luz intensa pulsada em sequelas cicatriciais hipercrômicas pós-queimadura, realizada por Cesar et al. entre julho de 2004 e julho de 2005, foram tratados 19 pacientes, de ambos os sexos e faixas etárias variáveis entre 9 e 62 anos portadores de sequelas de queimaduras com mais de dois anos de evolução, e distribuição do fototipo cutâneo, segundo a classificação de Fitzpatrick. Após cada aplicação, um médico e dois observadores avaliaram as modificações na coloração das cicatrizes, classificando-as de acordo com a mesma escala acima, levando à consclusão que os resultados foram satisfatórios não havendo correlação entre presença de complicações locais e fluência da luz intensa pulsada utilizada e o aumento de intercorrências19.

As complicações citadas no estudo foram: em um paciente, a formação de crosta e descamação após a primeira sessão; em dois pacientes, a formação de crostas após a segunda sessão; em um paciente, a formação de crosta após a terceira sessão; em dois pacientes, a formação de bolha e a presença de crosta após a quarta sessão; em um paciente, o surgimento de bolha seguido de crosta na quinta sessão; em um paciente, a formação de crosta na sétima sessão; e em um paciente, a formação de crosta na nona sessão19.

O estudo conclui que a prevenção de quelóides e cicatrizes hipertróficas ainda é a melhor estratégia, uma vez que a instalação de cicatriz patológica, apesar das diversas opções de tratamento, não encontra terapêutica eficaz completa ou resolução permanente, destacando-se que os pacientes, apesar de satisfeitos com a melhora, não alcançaram o desaparecimento completo da lesão, além do número razoável de complicações, que prejudicam a aparência.

Em outra pesquisa, o tratamento para fotoenvelhecimento de dorso das mãos foi considerado um desafio na prática clínica. Utilizou a luz intensa pulsada em 56 mulheres, cuja idade média foi de 64,5 anos. Além do resultado pobre em um número considerável de casos, o estudo registrou complicações, relativas ao aparecimento de vesículas, crostas ou infecção local, e, ainda, a médio prazo, observou a ocorrência de ulcerações, discromias e cicatrizes hipertróficas20.

No estudo acima citado uma paciente apresentou bolhas imediatamente após o procedimento, curada após a aplicação de cremes contendo corticosteroides e filtro solar, sem que ocorresse a alteração de coloração ou textura da pele. Outra paciente, com histórico de alergia de contato e eczema nas mãos, uma semana após a aplicação da luz intensa pulsada reativou o processo alérgico bilateralmente, e, igualmente, o tratamento evoluiu à cura sem sequelas. Cinco pacientes desenvolveram crostas após a aplicação da luz intensa pulsada e, após tratamento, houve recuperação total da pele. Dezesseis pacientes relataram ardência, eritema ou endemia local, com duração variável de trinta minutos a setenta e duas horas após a aplicação20.

Ainda, outro estudo, Motta et al., que tratou 17 pacientes com malformação vascular congênita com a associação de laser e luz intensa pulsada concluiu que o tratamento pode ser realizado adequadamente com anestesia tópica em regime ambulatorial, e que a referida associação possibilitou a obtenção de resultados satisfatórios, mas relatou que dois pacientes, dentre os sete pacientes tratados previamente com laser de gás carbônico, dois pacientes apresentaram cicatrizes hipertróficas e um apresentou discromia.

 

 

6 DISCUSSÃO

 

Os resultados dos estudos analisados apontam que a aplicação da luz intensa pulsada, em geral, apresenta complicações relacionadas à formação de vesículas e crostas no local da aplicação, estando seus efeitos mais graves associados à formação de cicatrizes, devendo ser estudada a correlação entre estas e as técnicas de aplicação, tendo em vista que elas são indesejáveis em procedimentos estéticos.

Conforme referido pelos autores consultados, a Luz Intensa Pulsada se aplicada de forma adequada não faz fotoablação6, sendo assim não pode lesar profundamente os tecidos como pode ocorrer na utilização do raio laser.

Os autores indicam a possibilidade de sequelas, dentre elas, bolhas, púrpura, ou crostas, e efeitos potenciais, como eritema, hipopigmentação, hiperpigmentação, atrofia, cicatrizes, cicatrizes hipertróficas ou formação de quelóides, bem como o risco de infecção, devendo estes possíveis efeitos ser informados ao paciente antes da aplicação14. Nos três estudos analisados constatou-se a ocorrência da maioria destas complicações, inclusive as referentes à formação de cicatrizes, consideradas raras por alguns autores, e são resultantes da aplicação inadequada6.

A literatura afirma que os efeitos colaterais ocorrem, principalmente, nas pessoas fototipos altos, acima do tipo III, ou em indivíduos recentemente bronzeados6. Entretanto, existem autores que afirmam que apenas os fototipos V e VI, ou seja, peles negras, estão sujeitos a esses efeitos13. A falta de especificação de todos os tipos de pele dos participantes das pesquisas não possibilitou a correlação entre estes e as complicações indicadas pelos pesquisadores.

Apesar dos autores apontarem as discromias (hipo ou hiperpigmentação) como efeitos adversos mais comuns, associados às altas fluências e curta duração de pulso6, esta análise não permitiu ratificar as discromias como as complicações com maior incidência nos três estudos examinados.

O desaparecimento das crostas em duas semanas, o prurido durante a sessão, a sensação de calor e as bolhas causadas pela ação térmica na pele15 foram complicações apontadas pelos estudos analisados.

Também não foi confirmado o aparecimento de surtos de herpes simples ou de foliculite pós tratamento16, assim não se confirmando também o tempo transcorrido para a sua resolução.

Como se pode observar apesar da ampla aplicação da Luz Intensa Pulsada nos tratamentos estéticos atualmente, o potencial para efeitos adversos e complicações associadas ao uso desta técnica é aceitável, constituindo-se um tratamento relativamente seguro.

 

 

7. CONCLUSÕES

 

A revisão da literatura mostrou que a utilização da luz intensa pulsada tem tido um grande avanço na área da fisioterapia e da dermatologia, trazendo benefícios importantes nos tratamentos, sejam eles de doenças ou condições estéticas.

Entre as indicações mais frequentes para uso da luz intensa pulsada estão a epilação, remoção de tatuagens, tratamento de manchas senis, tratamento do fotoenvelhecimento, teleangiectasias  e acne.

Como contraindicações encontramos a gravidez, o aleitamento materno, a ingestão de retinóides ou medicamentos e doenças fotossensibilizantes, e pele bronzeada. Cuidados especiais são exigidos para tratamento de pacientes que sofrem de diabetes, coagulopatias e pacientes com marca passo cardíaco.

As complicações mais frequentes são o eritema, hipopigmentação e hiperpigmentação seguidos de bolhas, púrpura, crostas e infecção. Como sequelas é possível aparecer atrofia, cicatrizes, cicatrizes hipertróficas ou formação de quelóides.

O desenvolvimento de novas tecnologias nesta área tem propiciado maior facilidade para os profissionais na utilização da luz intensa pulsada, com tratamentos mais confortáveis e resultados cada vez mais precisos, seguros e eficientes.

 

 

 


8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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11 Kamiji T. Os benefícios da luz intensa pulsada nos tratamentos estéticos. [Internet]. 2012 [acesso em 2012 abr 12]. Disponível em: http://www.portalcascavel.com/artigo.php?artigo=16&colunista=6.

 

12 Borges F. Uso de recursos eletrotermoterapêuticos pelo fisioterapeuta dermato-funcional. [Internet]. 2010. [acesso em 2012 abr 12]. Disponível em: http://www. proffabioborges.com.br/2010/05/uso-de-recursos-eletrotermoterapeuticos-pelo-fisi oterapeuta-dermato-funcional/.

 

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20 Salles AG, Camargo CP, Gimenez R, Isaac C, Ferreira MC. O uso da luz intensa pulsada (LIP) no tratamento do fotoenvelhecimento de dorso das mãos. [internet], [acesso em 20 fev. 2012]. Disponível em: http://www.industra.com.br/industra/admin/arquivos/maos.pdf.

 

21 Motta MM, Kharmandayan P, Nicola EMD, Nunes PHF, Psillakis JM. Malformações capilares: resultados preliminares do tratamento associando laser ND:Yag 1064 nm e luz intensa pulsada. Rev. Soc. Bras. Cir. Plást. 2006;21(3):175-9.

 

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